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	<title>Arquivos BNDES - LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</title>
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	<title>Arquivos BNDES - LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</title>
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		<title>Adoção da estratégia da transversalidade nas práticas ESG</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Macedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Feb 2023 14:58:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LBCA na Mídia]]></category>
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		<category><![CDATA[Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O conceito da transversalidade vem se firmando como essencial na incorporação dos fatores ESG  e está presente no modelo do Fundo Amazônia</p>
<p>O post <a href="https://lbca.online/adocao-da-estrategia-da-transversalidade-nas-praticas-esg/">Adoção da estratégia da transversalidade nas práticas ESG</a> apareceu primeiro em <a href="https://lbca.online">LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A pauta ESG (boas práticas ambientais, sociais e de governança) vem ganhando um tratamento transversal por parte de muitas corporações. O próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social <strong>(</strong></span><strong><a href="https://www.jota.info/tudo-sobre/bndes" target="_blank" rel="noopener">BNDES</a></strong><span style="font-weight: 400;"><strong>)</strong> define a transversalidade como sendo “<em>uma visão integrada do desenvolvimento e considera diversas dimensões, como social, econômica, cultural e ambiental.</em></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><em> A abordagem territorial, a inovação e a sustentabilidade são temas fundamentais para a prática dessa estratégia e para assegurar o cumprimento de nossa missão, em consonância com as expectativas da sociedade</em>”.</span><span style="font-weight: 400;">[1]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o ESG é um conceito novo, precisa de um novo olhar, um novo paradigma para ser melhor compreendido. O meio ambiente, as questões sociais e a gestão corporativa não estão mais restritas ao universo de uma empresa, mas adquiriram estatura global, para poderem dialogar com diferentes atores. Portanto, envolvem questões interdependentes e transversais afetas a todas as áreas e atividades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conceito da transversalidade vem se firmando como essencial na incorporação dos fatores ESG, pelo simples fato que nenhuma área da empresa é um compartimento estanque, mas precisa interagir com as demais. Isso fica bem sedimentado em uma frase do sociólogo e filósofo francês Edgar Morin: “<em>É preciso substituir um pensamento disjuntivo e redutor por um pensamento complexo, no sentido originário do termo complexus: o que é tecido junto</em>”.</span><span style="font-weight: 400;">[2]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o sentido de conjunto, de coletivo, de global que interage, bem diferente do que por séculos norteou o mundo: o pensamento cartesiano, da divisão de trabalho, do método que separa os fenômenos em compartimentos para melhor compreendê-los. Agora, caminhamos para o pensamento holístico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ESG exige das corporações um esforço grande em adotar novas percepções, novos valores, além de uma compreensão sistêmica do mundo, que não é mais “uma coleção de objetos isolados, mas são como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e são interdependentes”.</span><span style="font-weight: 400;">[3]</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o ESG não pode ser desconexo, nem permanecer isolado em uma torre de marfim do corporativismo, precisa explorar sua transversalidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Funciona como uma ponte para compreender as práticas ESG dentro da estratégia de uma organização. Nada é paralelo, mas abre brechas e atua integrado para transformar. Pode ser difícil à medida que a maioria dos talentos que comanda as corporações não vive essa pluralidade, mas apenas a cultura analítica, correndo o risco de se transformar em um executor passivo, dividido entre o saber corporativo e o saber ESG, sem conseguir integrá-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transversalidade exige que os talentos das empresas detenham competências como sensibilidade e capacidade de reflexão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A despeito da formação profissional, torna-se necessário ampliar o conhecimento sobre os novos temas, que dialogam com os antigos, renovar atitudes, conjunto de valores e ter responsabilidade com a transformação social, ambiental, de gestão e também comprometimento consigo próprio e com o bem estar comum. É a formação para a transversalidade, entendendo esse conceito como a abertura para expansão das práticas ESG.</span></p>
<p><a href="https://conteudo.lbca.com.br/como-implantar-esg-do-diagnostico-a-um-bom-relatorio" target="_blank" rel="noopener"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18605 size-full" src="/wp-content/uploads/2023/02/5yhhvvhv.png" alt="ESG" width="2000" height="533" srcset="https://lbca.online/wp-content/uploads/2023/02/5yhhvvhv.png 2000w, https://lbca.online/wp-content/uploads/2023/02/5yhhvvhv-300x80.png 300w, https://lbca.online/wp-content/uploads/2023/02/5yhhvvhv-1024x273.png 1024w, https://lbca.online/wp-content/uploads/2023/02/5yhhvvhv-768x205.png 768w, https://lbca.online/wp-content/uploads/2023/02/5yhhvvhv-1536x409.png 1536w" sizes="(max-width: 2000px) 100vw, 2000px" /></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ESG trespassa, assim, toda a organização e requer ação em várias áreas de conhecimento e competência. Motivo pelo qual há evidências de que se deve começar por ter alguém dentro da empresa que olhe para a sustentabilidade de forma transversal. Além de uma estratégia delineada, as organizações precisam de alguém que agarre a batuta na condução de todas estas áreas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal como uma orquestra não vive sem um maestro, o ESG requer alguém que faça a ligação entre as várias áreas que são chamadas a intervir na execução da estratégia estabelecida. Muitas vezes, não se trata tanto da falta de talento nas áreas de ESG, mas da falta de delineação de uma estratégia e da nomeação de um responsável por fazer executar a mesma. Esse serviço pode ser feito internamente ou por contratação de terceiros, que exerça um papel de ESG as a service.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transversalidade no ESG também pode contribuir para minar o greenwashing, uma das principais mazelas dessa prática, que acontece quando as empresas comunicam dados superdimensionados sobre seus compromissos metas e realizações sustentáveis. À medida que exige um comprometimento conjunto de todas as áreas da empresa em sua jornada pela sustentabilidade, não deixa espaços para que prosperem as “maçãs podres”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem pensa que o greenwashing nasceu recentemente, se engana. É conhecido o caso de uma rede hoteleira, na década de 1960, que colocava nos apartamentos um aviso para os hóspedes reutilizarem as toalhas e, assim, ajudarem a salvar o meio ambiente, poupando água e contaminação dos rios e oceanos com produtos químicos. Era só greenwashing para economizar os custos com o serviço de lavanderia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transversalidade pode ser aplicada ao ESG em grandes e pequenos projetos, sejam públicos ou privados, como do Vale Encantado, uma comunidade isolada do Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro, próximo à Floresta da Tijuca. Sem recursos, dependeu do interesse e mobilização dos moradores, ONGs e organizações para construir um sistema biosustentável para captar e tratar o esgoto das casas antes de chegar ao meio ambiente, concluído no ano passado. Assim, os moradores puderam dar um passo em direção ao sonho de a comunidade ser um ponto turístico, onde as quedas d’água sejam limpas, uma vez que a extração de granito, que era uma fonte de renda local, mas com grande impacto ambiental, encerrou as atividades na região.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na esfera pública, o conceito de transversalidade está presente no modelo do Fundo Amazônia, que foi retomado pelo atual governo brasileiro e que está voltado ao desenvolvimento sustentável em três eixos: ambiental, social e econômico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O fundo foi criado em 2008 como uma associação civil sem fins lucrativos com personalidade jurídica de direito privado destinada a captar doações para investimentos para  prevenir, monitorar e combater o desmatamento na Amazônia, além de contribuir para a conservação e uso sustentável da floresta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fundo faz a integração com governos e iniciativa privada, tendo como maior doador a Noruega, seguida pela Alemanha, Petrobras e, mais recentemente, os Estados Unidos, que anunciaram doação inicial de US$ 50 milhões depois da recente visita do presidente </span><a href="https://www.jota.info/tudo-sobre/lula" target="_blank" rel="noopener"><b>Luiz Inácio Lula da Silva</b></a><span style="font-weight: 400;">, ao colega norte-americano, Joe Biden.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fundo é gerido pelo BNDES, sendo que os doadores internacionais e nacionais não possuem ingerência sobre as decisões, uma vez que não são membros do Comitê Orientador, constituído por representantes do governo federal, governos estaduais da Amazônia e sociedade civil (universidades, produtores rurais, povos indígenas e fórum brasileiro de ONGs), explicitando na prática uma ampla governança participativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Comitê Técnico do Fundo atesta a redução das emissões de carbono decorrente dos projetos, sendo fundamental para que o Brasil cumpra seus compromissos no Acordo de Paris.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A perspectiva de transversalidade do Fundo Amazônia está também no seu financiamento por países e empresas, que voluntariamente promovem doações, que se reverteram para mais de 100 projetos desenvolvidos na região amazônica, beneficiando povos originários, ribeirinhos e população local.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reúne uma pauta voltada à gestão de florestas, monitoramento ambiental (20%), manejo florestal sustentável, uso sustentável da vegetação, zoneamento ecológico, regularização fundiária, conservação e uso sustentável da biodiversidade e recuperação de área desmatadas, tendo atingido 45 milhões de hectares de áreas protegidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A efetividade do fundo, segundo a </span><a href="https://www.jota.info/tudo-sobre/cgu" target="_blank" rel="noopener"><b>CGU</b></a><span style="font-weight: 400;"> (Controladoria Geral da União), foi garantir apoio a 65% de terras indígenas, consolidação de gestão de 190 Unidades de Conservação, 1,4 milhão de imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural e beneficiar 202 mil pessoas gerando renda com atividades produtivas sustentáveis, dentre outros avanços, como segurança alimentar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a paralisação do Fundo Amazônia, no período de 2019 a 2021, segundo relatório da CGU</span><span style="font-weight: 400;">[4]</span><span style="font-weight: 400;">, o país deixou de receber créditos no valor estimado de US$ 20 bilhões.</span></p>
<p><strong>LEIA TAMBÉM:</strong></p>
<ul>
<li><strong><a href="https://lbca.online/a-diversidade-como-impulsionadora-do-esg-social/" target="_blank" rel="noopener">A diversidade como impulsionadora do ESG Social</a></strong></li>
<li><strong><a href="https://lbca.online/o-capital-natural-entra-na-agenda-esg-de-2023/" target="_blank" rel="noopener">O capital natural entra na agenda ESG de 2023</a></strong></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando foi paralisado, o fundo tinha em caixa R$ 3,39 bilhões, captados em doações, recursos e que poderiam ter sido usados na preservação do bioma Amazônia, reforçando políticas públicas nesse sentido. Dentro do fundo, os programas se distribuem em 38% para o terceiro setor, 31% para os estados, 28% para municípios, 1% para universidades e ações internacionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem dúvida, o Fundo Amazônia está no centro das preocupações atuais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, tanto que na última reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos a ministra Marina Silva não deixou de enfatizar a importância dos investimentos das nações mais ricas do mundo nos países em desenvolvimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela lembrou a promessa – feita pelos países ricos na Cúpula do Clima – de auxiliar países de renda baixa e média no sentido de enfrentarem o aquecimento global, com doação de US$ 100 bilhões/anuais, até porque os países em desenvolvimento contribuíram menos para a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) e são os que mais sofrem com os efeitos mais severos das mudanças climáticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atrair investimentos para o Fundo Amazônia é fundamental para o governo cumprir a promessa de desmatamento zero até 2030 e para evitar que ocorram tragédias humanitárias, como a vivida pelos yanomamis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transversalidade, portanto, nada mais é que o “<em>tecer junto</em>” de que fala Morin, permitindo a integração de vários atores com o comprometimento do bem comum, da ética, de valores e com a transformação da sociedade e da realidade, como evidencia a Agenda 2030 da ONU. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio da abordagem da transversalidade, as corporações ajudam a superar uma possível fragmentação do ESG e alinham suas práticas quanto ao planejamento estratégico, metas e resultados. Vale lembrar que o bem comum é função, fim ou tarefa da sociedade, constituindo um valor político, subordinado à moral.</span><span style="font-weight: 400;">[5]</span></p>
<hr />
<p><span style="font-weight: 400;">[1] Disponível em: </span><a href="https://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Hotsites/Relatorio_Anual_2015/estrategia-e-temas-transversais.html" target="_blank" rel="noopener"><b>https://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Hotsites/Relatorio_Anual_2015/estrategia-e-temas-transversais.html</b></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[2] MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 3ª. Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[3] CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas visos. Cultrix: São Paulo, 1996</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[4] Disponível em: </span><a href="https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2022/06/Relatorio-de-Avaliacao-Final-Fundo-Amazonia-v-publicacao-5.pdf" target="_blank" rel="noopener"><b>https://oeco.org.br/wp-content/uploads/2022/06/Relatorio-de-Avaliacao-Final-Fundo-Amazonia-v-publicacao-5.pdf</b></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[5] LEE, Yun Ki. Fecho Reflexivo na Dignidade: uma inspiração na perspectiva quântica do direito. São Paulo: Dialética, 2020.</span></p>
<hr />
<p><b>YUN KI LEE</b><span style="font-weight: 400;"> – Sócio da Lee, Brock, Camargo Advogados, mestre em Direito Econômico pela PUC-SP e professor de pós-graduação em Direito</span></p>
<p><b>FABIO RIVELLI</b><span style="font-weight: 400;"> – Advogado, sócio da LBCA, mestrando na PUC-SP e presidente da Comissão de Inovação, Gestão e Tecnologia da OAB-Guarulhos</span></p>
<p><b>PATRICIA BLUMBERG</b><span style="font-weight: 400;"> – Diretora de ESG da Lee, Brock, Camargo Advogados e Master em Digital Communication pela Westminster Kingsway College London</span></p>
<p>O post <a href="https://lbca.online/adocao-da-estrategia-da-transversalidade-nas-praticas-esg/">Adoção da estratégia da transversalidade nas práticas ESG</a> apareceu primeiro em <a href="https://lbca.online">LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</a>.</p>
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