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	<title>Arquivos COP 15 - LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</title>
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	<title>Arquivos COP 15 - LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</title>
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		<title>O capital natural entra na agenda ESG de 2023</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ariene Alves Leite Pereira Moreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2023 13:55:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LBCA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Agenda ESG 2023]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cada vez mais, capacidade de uma organização agregar valor a seus investidores está ligada aos recursos naturais dos quais se vale.</p>
<p>O post <a href="https://lbca.online/o-capital-natural-entra-na-agenda-esg-de-2023/">O capital natural entra na agenda ESG de 2023</a> apareceu primeiro em <a href="https://lbca.online">LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de quatro anos de negociação e mudança de sede da cidade chinesa de Kunming para Montréal, no Canadá, por conta da pandemia, foi alcançado o ambicioso acordo da COP 15 (Conferência da Biodiversidade da ONU) ou <a href="https://www.cbd.int/article/cop15-cbd-press-release-final-19dec2022" target="_blank" rel="noopener">Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework</a>, em dezembro de 2022, com quatro objetivos e 23 metas, que podem ser sumarizados pela sua Meta 4:</p>
<p>“Assegurar ações de gestão urgentes, para deter a extinção induzida pelo homem de espécies ameaçadas conhecidas e para a recuperação e conservação de espécies, em particular espécies ameaçadas, para reduzir significativamente o risco de extinção, bem como para manter e restaurar a diversidade genética dentro e entre as populações de espécies nativas, espécies selvagens e domesticadas para manter seu potencial adaptativo…”.</p>
<p>Esse acordo não é juridicamente vinculativo, mas as metas ajudarão a tirar o tema da invisibilidade dentro da pauta global e concretizar avanços, constituindo mais uma frente vigorosa da agenda ESG (boas práticas ambientais, sociais e de governança). Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o financiamento contra a perda da biodiversidade representou apenas 7% dos fundos, sem levar em conta o protagonismo que o tema merece.</p>
<p>Contudo, igualmente às mudanças climáticas, é fundamental preservar a biodiversidade antes que o mundo chegue a um ponto sem volta, com danos irreversíveis às gerações futuras. Para quem duvida de sua importância, mais da metade do PIB global (US$ 44 trilhões) <a href="https://www3.weforum.org/docs/WEF_The_Future_Of_Nature_And_Business_2020.pdf" target="_blank" rel="noopener">depende atualmente da biodiversidade</a>. Ou seja, o mundo está prestes a sacrificar sua “galinha dos ovos de ouro”.</p>
<p>Basicamente, o capital natural nos garante alimentos, energia e medicamentos. Mas há outros sinalizadores importantes: 75% das plantações dependem de polinização animal, 4 bilhões de pessoas utilizam remédios naturais, ecossistemas marinhos e terrestres absorvem 60% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) ou 5,6 gigatoneladas de carbono por ano, atenuando o efeito estufa e a temperatura planetária.</p>
<p>Nesse sentido, o acordo da COP 15 cristalizou quatro objetivos globais importantes: manter a integridade e a resiliência de todos os ecossistemas, gerenciar e utilizar a biodiversidade de forma sustentável; proteger o conhecimento tradicional associado a recursos genéticos e assegurar meios adequados de financiamento e cooperação tecnológica para implementar uma estrutura de biodiversidade global.</p>
<p>Alguns países já possuem estratégias para proteger e reverter a degradação dos ecossistemas. É o caso do Acordo Verde da União Europeia, que vai incluir a biodiversidade como requisito do seu Regulamento de Divulgação de Finanças Sustentáveis (SFDR), devendo as empresas informarem em seus relatórios os impactos de suas atividades sobre a biodiversidade.</p>
<p>O setor privado também começou a referendar seu apoio. Caroline Le Meau, por exemplo, diretora global de pesquisa ESG da Amundi, considerada a maior gestora de ativos da Europa, <a href="https://www.unpri.org/news-and-events/150-financial-institutions-managing-more-than-24-trillion-call-on-world-leaders-to-adopt-ambitious-global-biodiversity-framework-at-cop15/10926.article" target="_blank" rel="noopener">disse que o setor financeiro não deve esquecer a biodiversidade na corrida para ser zero líquido</a>:</p>
<p>“Reconhecemos a importância da biodiversidade que constitui a base para a nossa economia. A ciência é clara no sentido de que temos apenas uma década para deter e reverter a perda de biodiversidade. Apoiamos o estabelecimento de uma Estrutura Global de Biodiversidade pós-2020 ambiciosa e transformadora e continuaremos a trabalhar em direção aos nossos próprios compromissos de biodiversidade, conforme descrito no Compromisso de Finanças para a Biodiversidade”.</p>
<p>Mas por que há tanta urgência em proteger a biodiversidade? A questão foi bem explicada por inúmeros estudos e obras, como da jornalista Elizabeth Kolbert, no livro “A sexta extinção”. Com base em exemplos paradigmáticos, a autora explica que o mundo já passou por cinco grandes extinções naturais em massa da biodiversidade ao longo de 500 milhões de anos e agora vivemos a sexta, em ritmo acelerado.</p>
<p>“O homem de Neandertal viveu na Europa por mais de cem mil anos e, durante esse período, o impacto que provocou ao redor não foi maior do que o de qualquer outro grande vertebrado”, diz Kolbert. Ela comenta que a extinção tem forte relação com a velocidade das mudanças: “Quando o mundo muda mais depressa do que as espécies conseguem se adaptar, muitas se extinguem” e esse impacto reverbera.</p>
<p>A autora lembra o ecologista de Stanford Paul Ehrlich: “Ao pressionar outras espécies para a extinção, a humanidade está serrando o galho sobre o qual está sentada”.<sup>[1]</sup></p>
<p>O nível de perda da biodiversidade no mundo é de cerca de 25% de plantas e animais ameaçados de extinção.</p>
<p>Esse assolamento constitui um risco para a vida humana e demais espécies, seja no incremento da insegurança alimentar, no comprometimento do solo ou por conta da saúde, tendo como exemplo recente a Covid-19, uma doença zoonótica, como o ebola e a SARS, decorrente da exploração de ecossistemas até então preservados, que acabam aproximando pessoas de patógenos que estão na vida selvagem, tornando as pandemias uma realidade cada dia mais recorrente.</p>
<p>Ao atuar para evitar a perda da biodiversidade em seus ecossistemas, governos e as organizações privadas também ajudam na mitigação e adaptação das mudanças climáticas que, por sua vez, causam perda da biodiversidade. Há duas metas principais em jogo: cessar a perda da biodiversidade até 2030 e recuperar e restaurar até 2050. Trocando em miúdos, temos, por exemplo, de eliminar os resíduos plásticos.</p>
<p>Segundo relatório da ONU, o plástico já constitui 85% dos resíduos que chegam aos oceanos e no futuro próximo teremos 50 kg de plásticos por metro quadrado nas costas marinhas em todos os continentes, causando distúrbios e mortes de grande parte de espécies marinhas com seus detritos, que envenenam, sufocam e roubam a luz solar.</p>
<p>No acordo obtido na COP 15 houve consenso em conservar pelo menos 30% das terras, águas interiores e áreas costeiras e oceanos do mundo, sendo que atualmente esse acordo estava no patamar de 17% (áreas terrestres) e 10% (áreas marinhas).</p>
<p>Se o universo do impacto das mudanças climáticas (objeto da COP 27) já era um desafio amplo para empresas e governos, esse novo compromisso da COP 15  envolve a necessidade de que todas as organizações avaliem e divulguem seus “riscos, dependências e impactos” sobre a biodiversidade nas suas cadeias de valor. Está previsto na Meta 15 do acordo que empresas transnacionais divulguem riscos, monitorem, avaliem e divulguem dependências e impactos sobre a biodiversidade.</p>
<p>Em relação ao ESG, a COP 15 amplia a necessidade de criar um design de arquitetura para novos indicadores e metodologias que possam mensurar os dados das organizações ligados à biodiversidade. Há esforços para criar uma estrutura regulatória, como do Partnership for Biodiversity Accounting Financials que está desenvolvendo métricas para que as empresas divulguem seus dados de investimento sobre a biodiversidade.</p>
<p>Atualmente, a análise de dados em escala é limitada pela descentralização das informações ESG. O processo, por exemplo, de estruturar um relatório de sustentabilidade passa por uma série de etapas manuais, como a identificação e o acesso a relatórios individuais, extração de textos e higienização de bases de dados, antes mesmo que qualquer análise possa ser realizada.</p>
<p>De acordo com um <a href="https://www.blackrock.com/us/individual/about-us/blackrock-sustainability-survey" target="_blank" rel="noopener">levantamento feito pela BlackRock</a>, ainda que a maioria das empresas S&amp;P reporte métricas ESG, 53% dos entrevistados citaram “má qualidade ou disponibilidade de dados e análises ESG” e outros 33% citaram “má qualidade de relatórios de investimento em sustentabilidade” como as duas maiores barreiras para a adoção de investimentos sustentáveis.</p>
<p>Apesar das dificuldades, fica claro que as empresas têm um papel de liderança. Cada vez mais, a capacidade de uma organização de agregar valor a seus investidores está intrinsecamente ligada aos recursos naturais dos quais ela se vale.</p>
<p>Ninguém sabe ao certo a conta para preservar, promover o uso sustentável da natureza, reduzir a poluição, combater a mudança do clima, deixar de explorar de maneira predatória os recursos pesqueiros, estimular uma agricultura mais saudável e que dê conta de alimentar a população global – alguns dos temas em foco pelo Marco Global da Biodiversidade. Mas o acordo obtido dá um passo à frente.</p>
<p>Além de indicar o caminho da preservação, coloca um valor: serão US$ 200 bilhões em financiamento global da biodiversidade até 2030, para aumentar metas estratégicas de biodiversidade, principalmente marinha. O fundo é formado com dinheiro público, privado e de todas as fontes possíveis, o que é positivo. Mas ainda há muito para decidir sobre quem colocará recursos no fundo, quem acessa e quais são as regras.</p>
<p>O Painel Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos da ONU é categórico ao afirmar que 1 milhão de espécies estão ameaçadas de extinção no planeta em decorrência da ação humana. Os riscos são reais e inúmeros, e por isso mesmo, tornam vitais que as práticas ESG das empresas se engajem no novo marco estabelecido pela COP 15.</p>
<p>Essas demandas sustentáveis corporativas já entraram no radar dos investidores à medida que estão garantindo ativos de mais de € 18 trilhões para o Finance for Biodiversity Pledge. Essa tendência também está delineada no Fórum Econômico Mundial, segundo o qual a questão da biodiversidade exigirá investimentos de cerca de US$ 2,7 trilhões/ano até 2030, bem abaixo dos US$ 10 trilhões em PIB perdidos na pandemia.</p>
<p>Diante da urgência estabelecida pela possível “sexta extinção da biodiversidade”, fica a necessidade de incluir o tema na pauta ESG 2023 e refletir sobre a frase incontestável do ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln: “Eu sou a favor dos direitos animais, bem como dos direitos humanos. Essa é a proposta de um ser humano integral”.</p>
<hr />
<p>[1] KOLBERT, Elizabeth. “A sexta extinção – Uma história não natural”. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.</p>
<hr />
<p><strong>YUN KI LEE</strong> – Sócio da Lee, Brock, Camargo Advogados, mestre em Direito Econômico pela PUC-SP e professor de pós-graduação em Direito<br />
<strong>LORENA CARNEIRO</strong> – Sócia da Lee, Brock, Camargo Advogados, LLM em Direito Societário e Mercados de Capitais pela FGV-RJ e cursando MBA em Gestão de Negócios, Inovação e Empreendedorismo na FIA</p>
<p>O post <a href="https://lbca.online/o-capital-natural-entra-na-agenda-esg-de-2023/">O capital natural entra na agenda ESG de 2023</a> apareceu primeiro em <a href="https://lbca.online">LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</a>.</p>
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