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	<title>Arquivos críticas ESG - LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</title>
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	<title>Arquivos críticas ESG - LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</title>
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		<title>Sobre as críticas ao ESG, uma reflexão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Macedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Sep 2022 19:12:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É vero que ainda persiste muita discussão acerca da melhor definição de sustentabilidade, mas já se admite que é transversal e integradora, não se restringindo somente a questões ambientais.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No firme avanço das boas práticas ambientais, sociais e de governança do ESG, enrudecem-se, por outro lado, também, fortes críticas. Em “ESG Investing Isn´t Designed to Save The Planet” na Harvard Business Review, KENNETH P. PUCKER e ANDREW KING afirmam que os trilhões investidos em fundos ESG buscam garantir retorno aos acionistas, e não a gerar impacto planetário positivo como propagado.</p>
<p>É a negativa ampla e irrestrita do capitalismo de stakeholders, que forma a base do ESG. Um dos argumentos utilizados centra-se no uso supérfluo do conceito de sustentabilidade, sem critérios claros quanto à sua concepção.</p>
<p>É vero que ainda persiste muita discussão acerca da melhor definição de sustentabilidade, justamente, pela sua larga abrangência e complexidade, que, para muitos pesquisadores, ainda se encontra em construção. De qualquer forma, já se admite que é transversal e integradora, não se restringindo somente a questões ambientais.</p>
<p>Para JEFFREY SACHS, a sustentabilidade consiste em “uma visão normativa e ética do mundo, uma maneira de definir os objetivos de uma sociedade que funciona bem, que oferece bem-estar aos seus cidadãos no presente e no futuro”. Portanto, a hodierna concepção de sustentabilidade se dá pelo abranger dos três fatores do ESG, de forma imiscuída, e não isolada.</p>
<p>Criticam PUCKER e KING o alarde promovido por investidores sobre as vantagens do ESG sem que as empresas meçam efetivamente seus impactos ambientais, sociais e de governança. Há, certamente, divergências sobre a adoção de sistemas de mensuração do desempenho ESG.</p>
<p>O desafio na padronização das medições dentro de uma arquitetura regulatória envolve interesses diversos e classificações divergentes de um país para outro e de uma agência de ratings para outra. Contudo, caminhamos para a adoção de métricas universalmente aceitas, como foco na transparência e imparcialidade dos resultados.</p>
<p>As críticas são duras ao enfatizar os erros, mas deixam de ver as virtudes do ESG. Vaticinar que as práticas ESG não salvarão o planeta, propor limites para o capitalismo e o bem-estar planetário e pugnar por uma tese disjuntiva e fragmentária é fadar o ESG a não conseguir unir o mercado, os setores produtivos e as demandas dos stakeholders, comprometendo as soluções criativas e agregadoras que já vêm se firmando.</p>
<p>Esse artigo vai na toada da reportagem da The Economist, intitulada “ESG should be boiled down to one simple measure: emissions”, do jornalista HENRY TRICKS, que destaca três problemas no ESG:</p>
<p>excesso de objetivos, falta de coerência e exigência de demandas sociais para as empresas. Também vê com suspeição a ligação entre regulação e desempenho financeiro, relembrando o caso de um banco alemão que foi alvo de buscas de promotores por “greenwashing”, culminando no compromisso de trabalhar com reguladores e autoridades para combatê-lo.</p>
<p>Tal ocorrência apenas ratifica que seguimos evoluindo em um processo de aprendizado e aperfeiçoamento do ESG, assim como aconteceu com a consolidação dos programas de compliance em todo o mundo, que teve como um dos paradigmas o case de uma transnacional alemã que, flagrada em conduta antiética em diversos países,</p>
<p>decidiu adotar novos critérios de gestão de riscos para o cumprimento de regulações legais, com efetiva disseminação interna da cultura de “accountability” e treinamento de seus profissionais, também com a participação de autoridades, tornando-se, atualmente, uma referência de excelência em termos de compliance.</p>
<p>Por fim, The Economist sugere uma segregação dos pilares do ESG, como se fossem elementos isolados o ambiental, o social e a governança, propondo que o foco se centre apenas no fator “E”, pelo simples “achar” que os consumidores e investidores altruístas poderiam optar com mais clareza pelas ações ambientais tomadas por uma determinada empresa.</p>
<p>E, mesmo no fator ambiental, propõe-se um reducionismo focado na mensuração de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).</p>
<p>Contrapomos com o exemplo da indústria de energia fóssil, notadamente, mal vista em termos ambientais, mas ainda essencial, cujas maiores representantes estão a caminhar pelas boas práticas do ESG, a despeito de todo o “bias” (preconceito), quanto à sua limitada capacidade de contribuir para o mundo mais verde, no “ismo” da cruzada de energia limpa versus energia suja.</p>
<p>Uma delas, a Petrobras, registrou em julho de 2022 um aumento anual de 26,8% em seu lucro líquido e se tornou a maior pagadora mundial de dividendos.</p>
<p>Com maior ênfase inicial em governança (G), a Petrobrás vem contribuindo também com melhores práticas ambientais (E) e sociais (S).</p>
<p>O ESG não pode ser desmembrado. Questões ambientais também implicam as sociais e as de governança, e vice-versa. É um todo comprometido com os melhores interesses dos stakeholders (acionistas, investidores, clientes, profissionais, fornecedores, governos, sociedade etc.). No longo prazo, não há perdas para as empresas por serem ESG.</p>
<p>Ao contrário, potencializam-se as chances de ganho ao atender ao apelo global de bem-estar geral. PAUL POLMAN e ANDREW WINSTON, em “Yes, Investing in ESG Pays Off” na Harvard Business Review, destacam que investir ao longo prazo em ESG vale, sim, à pena, tal como ratifica um novo estudo de McKinsey Global Institute e FCLT Global, em “Finally, Evidence that Managing for the Long Term Pays Off”:</p>
<p>empresas que operam com mentalidade de longo prazo vem a superar, desde 2001, o desempenho de sua indústria, com crescimento de receita 47% maior que seus concorrentes.</p>
<p>Como nas palavras de GUIMARÃES ROSA, em “Grande Sertão: Veredas”, não é possível separar o mundo em dois lados, claro e escuro e virtude e vício, pois “eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza!</p>
<p>Quero todos os pastos demarcados&#8230; Como é que posso com este mundo? Este mundo é muito misturado”, já que, há tempos, a liderança das mudanças planetárias deixou de ser um ônus exclusivo de governos e passou a ser compartilhada pelas empresas, investidores, sociedade e demais partes afetadas – os stakeholders! – com diferentes graus de contribuição, que é justamente o espírito do ESG.</p>
<hr />
<p><strong>Sobre os autores</strong></p>
<p><strong>Yun Ki Lee</strong> – Graduado em Direito pela USP; Mestre em Direito Econômico pela PUC/SP; Membro Efetivo da Comissão Especial de Relações Internacionais da OAB/SP; Presidente da Overseas Korean Traders Association, Sao Paulo Branch (OKTA SÃO PAULO); Vice-Presidente do Comitê Consultivo Jurídico Global da OKTA WORLD; Diretor-Tesoureiro do Instituto do Capitalismo Humanista (ICapH); Professor de Direito; e Advogado e Sócio da Lee, Brock, Camargo Advogados.</p>
<p><strong>Kristian</strong> <strong>Lee</strong> – B.Sc. in Economics and Business Administration e Computer Science Student, ambos pela Goethe Universität Frankfurt Am Main; Advisor da Radio Caca; e Senior Research Analyst da Warren Brasil.</p>
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