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	<title>Arquivos Mudanças Climática - LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</title>
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	<title>Arquivos Mudanças Climática - LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</title>
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		<title>Ansiedade climática traz riscos à saúde mental</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ariene Alves Leite Pereira Moreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Feb 2024 14:08:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LBCA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[ansiedade climática]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
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		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O impacto das alterações na saúde mental afeta milhões de pessoas em inúmeros países. As catástrofes ainda trazem riscos mais complexos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="jota-article__content">
<p>As mudanças climáticas são vistas pela ciência como a principal ameaça à saúde mental do planeta neste século. A Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association) vem identificando as causas psicológicas e comportamentais ligadas ao tema e o Manual de Psicologia Climática<sup>[1]</sup> conceitua essa ansiedade como sendo o “aumento do sofrimento emocional, mental ou somático em resposta às mudanças perigosas no sistema climático”, com diferentes graus de perturbação mental, que trazem stress, depressão, angústia, insônia, perda de apetite e pode até levar ao suicídio.</p>
<p>Em 2022, a Organização Mundial da Saúde divulgou sua revisão mundial sobre saúde mental, constituída pelos elos entre saúde mental, saúde pública, direitos humanos e desenvolvimento socioeconômico. Alertou que a saúde mental ainda é negligenciada, pois faltam compromissos efetivos, políticas públicas, recursos e legislações para ampliar seu alcance. De acordo com a OMS, grande parte dos países ainda não identifica a ansiedade climática como propulsora de riscos para a saúde mental, principalmente no caso das pessoas mais vulneráveis, que vivem em áreas de risco climático. Mas independente do estrato social, a maioria das pessoas já está sentindo os contratempos da crise climática, convivendo com ondas de calor extremo e seca severa, que mudam as rotinas e geram respostas emocionais.</p>
<p><strong>LEIA TAMBÉM: </strong><a href="https://lbca.online/compliance-fortalece-o-esg-no-pilar-g/" target="_blank" rel="noopener">Compliance fortalece o ESG no pilar G</a></p>
<p>Igualmente, o <a href="https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg2/chapter/chapter-7/" target="_blank" rel="noopener">Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas</a> (IPCC), órgão de ciência climática da ONU, em seu sexto e último relatório, ressaltou pela primeira vez o impacto das alterações do clima na saúde mental, afetando milhões de pessoas em inúmeros países e os desafios que as catástrofes crescentes podem trazer, uma vez que a tolerância de animais e plantas está chegando ao limite, com impactos em cascata e riscos cada vez mais complexos. Quando há aumento da temperatura terrestre, as espécies podem se adaptar a novos habitats ou ser extintas. Para o IPCC, cerca de 3,6 milhões de pessoas vivem em contexto de vulnerabilidade ao clima e há necessidade de uma ação imediata para cortar as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), porque a crise climática não pode esperar.</p>
<p>Além das vítimas, os mais suscetíveis à ansiedade climática são os jovens, especialmente porque se sentem frustrados com as respostas insuficientes do Poder Público para responder à crise climática; os socorristas que atuam em desastres naturais, porque testemunham na prática o sofrimento das pessoas atingidas; e ativistas e cientistas climáticos pelo fato de que detêm mais informações sobre o tema e estão mais envolvidos. Há um sentimento de perda, seja da biodiversidade, ecossistemas, florestas etc. As preocupações e possíveis ameaças geram respostas emocionais negativas.</p>
<p>A realidade da ansiedade climática entre os jovens tem um recorte mais nítido. A publicação <a href="https://www.cbsnews.com/news/climate-change-anxiety/" target="_blank" rel="noopener">“Lancet Saúde Planetária” realizou uma pesquisa</a> com mais de 10 mil jovens de diferentes países (entre 16 e 25 anos) que revelou que 62% deles estão preocupados com as mudanças do clima e 67% deles afirmaram que estão tristes, com medo e que o tema vem afetando negativamente suas vidas.</p>
<h3><strong>Jovens brasileiros estão preocupados com as mudanças climáticas</strong></h3>
<p><strong>29%</strong><br />
extremamente preocupados</p>
<p><strong>38%</strong><br />
muito preocupados</p>
<p><strong>22%</strong><br />
moderadamente preocupados</p>
<p><strong>8%</strong><br />
um pouco preocupados</p>
<p><strong>3%</strong><br />
sem preocupação</p>
<p class="jota-article__reference">Fonte: CBS News / Pesquisa: <a href="https://www.thelancet.com/journals/lanplh/article/PIIS2542-5196(21)00278-3/fulltext" target="_blank" rel="noopener">The Lancet Planetary Health</a></p>
<p>Entre a ameaça e a possível solução para o aquecimento global reside a ansiedade climática. O <a href="https://climatecommunication.yale.edu/wp-content/uploads/2023/09/climate-change-american-mind-beliefs-attitudes-spring-2023.pdf" target="_blank" rel="noopener">Relatório de 2023 do Programa das Universidades de Yale e George Mason sobre Alterações Climáticas</a> apontou que cerca de dois terços dos americanos (66%) dizem que estão um pouco preocupados com o aquecimento global. Este dado inclui 30% dos americanos que dizem estar muito preocupados, evidenciando o crescimento das pesquisas sobre ansiedade climática no Google Trends. Em português, são 73 vezes maiores nos 10 primeiros meses de 2023 em relação a igual período de 2017. <a href="https://www.bbc.com/news/science-environment-67473829" target="_blank" rel="noopener">Em língua inglesa, o crescimento foi de 27 vezes</a>.</p>
<p>A ansiedade climática já é um fato dentro do sistema de saúde mental. Os psicólogos estão comparando esse surto à pandemia de Covid-19. Nos dois casos há níveis de negação, medo e dificuldades em lidar com as perdas. Assim como a Covid afetou negativamente a vida das pessoas, a crise climática vem mexendo com a rotina de grande parte da população mundial, sendo que estar mais consciente da existência dos danos causados pelas alterações climáticas aumenta o sofrimento emocional.</p>
<p>No caso da Covid-19, até quem não pegou o vírus teve sua saúde mental alterada, porque perdeu familiares e amigos, ficou em isolamento durante a quarentena, perdeu o emprego, teve de mudar a rotina, temeu pelo futuro etc. A crise climática promete ter impacto semelhante de desesperança e medo, porque vem se agravando o ônus de um planeta em aquecimento.</p>
<p><strong>LEIA TAMBÉM: </strong><a href="https://lbca.online/compensacao-de-creditos-de-carbono-dentro-do-esg-corporativo/" target="_blank" rel="noopener">Compensação de créditos de carbono dentro do ESG corporativo</a></p>
<p>O ano de 2023 foi o mais quente da história, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e teme-se chegar a um ponto de não retorno. Embora haja divergência sobre o número de mortes causadas pelo aumento da temperatura da Terra, a Lancet Planet Health calcula que 5 milhões de pessoas percam a vida anualmente devido a alterações térmicas em todo o mundo. Também implica em prejuízos financeiros, estimados pelo Fórum Econômico Mundial em US$ 12,5 bilhões até 2050.</p>
<p>Há evidências de que a extinção de animais terrestres e marinhos ocorreu durante mudanças climáticas globais de grande magnitude, como registrada historicamente em cinco eventos: Ordoviciano, Devoniano, Permiano, Triássico e Cretáceo. Embora algumas espécies consigam se adaptar, fala-se de uma sexta extinção em massa da biodiversidade terrestre. Durante o período geológico Permiano, por exemplo, foi registrado um aquecimento global, com altas temperaturas, que extinguiu 95% da vida nos oceanos e 75% dos animais terrestres. Atualmente, há a ameaça de extinção pelo mesmo motivo – aumento da temperatura da Terra pelas emissões de GEE.</p>
<p>Para afastar o medo do futuro climático incerto, torna-se necessário um esforço de conservação imediato, como alega o famoso botânico norte-americano, <a href="https://news.mongabay.com/2007/03/extinction-like-climate-change-is-complicated/" target="_blank" rel="noopener">Peter Raven</a>: “Já é suficientemente difícil conservar a terra o suficiente para proteger a biodiversidade mundial se ela permanecer parada – e ainda mais difícil se ela estiver em movimento, à medida que as espécies mudam a sua distribuição para novas áreas onde o clima se torna adequado para elas. É preciso proteger onde as espécies estão agora, onde deverão chegar no futuro e as terras profundas que deverão atravessar no caminho. Assim, a primeira resposta para manter a biodiversidade no contexto das alterações climáticas é renovar esforços para proteger grandes áreas de habitats naturais e seminaturais, particularmente em cadeias montanhosas e outras regiões ambientais diversas – onde as espécies podem ser capazes de sobreviver movendo-se relativamente a distâncias curtas, de altitudes mais baixas para mais altas, de solos mais secos para solos mais úmidos (e vice-versa), e assim por diante”.</p>
<p>A despeito dos alertas,  as emissões ainda não vem sendo drasticamente reduzidas e a elevação do nível do mar pode fazer desaparecer um país insular no Pacífico, Tuvalu, com 11 mil habitantes  e 560 km de extensão, que já sofre com os impactos climáticos e  a perda de terras agriculturáveis e falta de água potável .O aumento  do nível do mar já fez vítimas no Estreito de Torres, onde ocorreu  a extinção de pequenos roedores, endêmicos da região, chamados Bramble Cay melomys, que perderam seu habitat, localizado  na ponta da grande  barreira de corais australiana. Ali, o nível do mar subiu quase o dobro da taxa média global. Essas informações podem gerar sentimento de perda e ansiedade climática.</p>
<p>E como vencer esse novo desafio de saúde mental? Certamente, a resposta terá de ser coletiva para dar certo, como aconteceu com a Covid-19, envolvendo o Poder Público, setor da saúde, empresas por meio da interação com os pilares ESG (ambiental, social e governança) e cidadãos. Tanto o vírus quanto a ansiedade climática são respostas da natureza à degradação ambiental e podem fomentar culpa e raiva diante da possível “aniquilação da humanidade”.</p>
<p>Assim como os jovens são os mais afetados pela ansiedade climática, eles também trazem uma mensagem forte de reação, como da <a href="https://www.instagram.com/gretathunberg/" target="_blank" rel="noopener">ativista Greta Thunberg</a>: “Os adultos ficam dizendo: ‘devemos dar esperança aos jovens’. Mas eu não quero a sua esperança. Eu não quero que vocês estejam esperançosos (…) Eu quero que vocês ajam. Quero que ajam como agiriam em uma crise. Quero que vocês ajam como se a casa estivesse pegando fogo, porque está”.</p>
<hr />
<p><sup>[1]</sup> CLIMATE PSYCHOLOGY ALLIANCE. The Handbook of Climate Psychology. 2020</p>
<p class="jota-article__byline"><strong>RICARDO FREITAS SILVEIRA</strong> – Sócio-head da Lee, Brock, Camargo Advogados, doutorando no IDP (Instituto Brasileiro de Ensino), mestre em Direito, Justiça e Desenvolvimento pelo IDP e especialista em Negócios Sustentáveis pela Cambridge University<br />
<strong>DANIELE GOBI DE AZEVEDO</strong> – Sócia da Lee, Brock, Camargo Advogados e presidente do Comitê de Diversidade &amp; Inclusão da LBCA<br />
<strong>PATRICIA BLUMBERG</strong> – Diretora de ESG da Lee, Brock, Camargo Advogados e Master em Digital Communication pela Westminster Kingsway College London</p>
</div>
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		<title>Lições de Davos e a manada de rinocerontes-cinzas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ariene Alves Leite Pereira Moreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jan 2023 12:33:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LBCA na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Cúpula do Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Fórum Econômico Mundial de Davos 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Fundo Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças Climática]]></category>
		<category><![CDATA[pilar “S” do ESG]]></category>
		<category><![CDATA[práticas ESG]]></category>
		<category><![CDATA[rinocerontes-cinza]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mundo em fragmentação tem potencial para gerar desglobalização e uma série de novas crises. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Diante de um cenário global, onde os riscos econômicos, ambientais, sociais e geopolíticos continuam ampliados, o tema do Fórum Econômico Mundial de Davos 2023 “Cooperação em um mundo fragmentado” é mais do que justificado.</p>
<p>Para alguns pesquisadores e analistas, como Pierre-Olivier Gourinchas do FMI, o mundo está se fragmentando em diferentes blocos econômicos, sistemas políticos, padrões tecnológicos, volatilidade dos mercados financeiros e desglobalização , o que vai exigir a formulação de novas políticas e cooperações multilaterais.</p>
<p>Na Biologia, o conceito de fragmentação se aproxima dessa formulação ao se referir à capacidade de alguns organismos se dividirem e produzirem novos entes. Metaforicamente, podemos ver o “mundo fragmentado” como fomentador de crises continuadas, que ganham vida própria.</p>
<p><strong>LEIA TAMBÉM:</strong></p>
<ul>
<li><a href="https://lbca.online/o-capital-natural-entra-na-agenda-esg-de-2023/" target="_blank" rel="noopener">O capital natural entra na agenda ESG de 2023</a></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>Davos não conseguiu responder se o mundo terá de aprender a viver dentro das regras estabelecidas pela fragmentação, ansiando pela ampliação do ESG (boas práticas ambientais, sociais e de governança), mas em sua reunião anual sinalizou para a necessidade de buscar um sistema econômico que assegure a sustentabilidade de todos os habitantes do planeta, consolidando o capitalismo das partes interessadas (stakeholders).</p>
<p>As externalidades negativas de um produto ou serviço não podem mais ser aceitas como normais. Para Saadia Zahidi, diretora gerente do Fórum Econômico Mundial, o “ESG deve permanecer na frente e no centro das empresas que desejam ajudar a abordar e mitigar algumas dessas preocupações, seja no lado ambiental ou social.” [¹]</p>
<p>Os dados apresentados no Relatório Global de Riscos 2023[²] do Fórum Econômico Mundial apontam para a necessidade de o mundo estar preparado para enfrentar grandes desafios, a partir de diretrizes bem definidas: “Precisamos agir juntos, para moldar um caminho para sair de crises em cascata e construir a preparação coletiva para o próximo choque global, seja qual for a forma que possa assumir”.</p>
<p>O relatório também se refere à subestimação e falta de preparo para enfrentar riscos macro emergentes, ou seja, os “rinocerontes-cinzas”. Estes consistem em uma teoria criada pela analista de economia mundial e estrategista global, Michele Wucker (The Grey Rhino:How to Recognize and Act on the Obvious Dangers We Ignore) há 10 anos, coincidentemente apresentada pela primeira vez em Davos. [³]</p>
<p>Concretamente, o rinoceronte é um animal de duas toneladas, com grande capacidade de ataque. Simbolicamente é uma ameaça grande, óbvia, mas muitas vezes, negligenciada. É muito similar às crises que o mundo vive, sendo que cada país terá reações diferentes para enfrentar seu próprio rinoceronte-cinza.</p>
<p>Para o Fórum de Davos, a volatilidade dos cenários nos próximos anos e a erosão na cooperação geopolítica tem potencial para gerar policrises, envolvendo riscos ambientais, geopolíticos, socioeconômicos e de oferta e demanda de recursos naturais, puxados pela escassez de alimentos, água, metais e minerais, com potencial para fomentar crises humanitária e ecológica, que só podem ser minoradas por uma ação coletiva mais positiva, inclusiva e estável.</p>
<p>A imagem da crise global está exposta em um fluxograma contido no relatório do Fórum Econômico Mundial – 2023.</p>
<p>Há rinocerontes-cinza no pilar “S” do ESG, quando apenas 1% dos US$ 67 bilhões destinados à promoção da equidade racial pelas maiores empresas do mundo acabou sendo utilizado. Um risco óbvio, grande e negligenciado.</p>
<p>Atualmente, os profissionais negros ocupam apenas 5% dos cargos de chefia nas empresas, quando representam 13% da população dos EUA, sendo que nas companhias que compõem o ranking da Fortune 500, apenas 262 apresentaram dados de raça e etnia em seus relatórios e apenas 22 trouxeram dados ESG incluindo o fator social.[4]</p>
<p><a href="https://open.spotify.com/episode/4P88QGaqTMGaTuLIIj4nfB?si=f65fa34c14be4be5" target="_blank" rel="noopener"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18061 size-large" src="/wp-content/uploads/2023/01/banner-1-1024x273.png" alt="Agenda ESG" width="800" height="213" srcset="https://lbca.online/wp-content/uploads/2023/01/banner-1-1024x273.png 1024w, https://lbca.online/wp-content/uploads/2023/01/banner-1-300x80.png 300w, https://lbca.online/wp-content/uploads/2023/01/banner-1-768x205.png 768w, https://lbca.online/wp-content/uploads/2023/01/banner-1-1536x409.png 1536w, https://lbca.online/wp-content/uploads/2023/01/banner-1.png 2000w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a></p>
<p>Outra negligência vem do pilar “E”, quando o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática (IPCC) já definiu cientificamente que o mundo precisa cortar 43% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) até 2030 para conter o aquecimento global e a crise climática e chegar à economia líquida zero em 2050.</p>
<p>Para o Fórum, todos os principais riscos que divisaremos nos próximos 10 anos são ambientais: fracasso na mitigação da crise climática, perda da biodiversidade e colapso do ecossistema.</p>
<p>Reconhecer o rinoceronte-cinza ajuda a lidar com problemas assustadores e de grandes dimensões, assim como ter uma equipe ou um conselho de administração para apoiar essa decisão. Um rinoceronte-cinza pode estar em uma empresa, no mercado de capitais, em um governo ou soltos por esse mundo cada vez mais fragmentado. Além dos perigos que implicam, podem também trazer oportunidades, porque impõem um sentido de urgência para avaliar e gerenciar riscos.</p>
<p>Segundo Wucker, mesmo em um safari fotográfico é preciso treinar os olhos para ver uma manada de elefantes ou de rinocerontes por mais inacreditável que isso pareça. Reuniões como a COP (Cúpula do Clima) e o Fórum de Davos ajudam nesse sentido. As corporações privadas e os governos passam a ver com mais clareza as ameaças mais prováveis que surgem pela frente, adotando medidas que evitem um desastre.</p>
<p>É necessário levar em conta a rapidez com que o rinoceronte chega e se é recorrente, como as crises financeiras. Dentre os quatro tipos elencados por Wucker, tem ainda o meta-rinoceronte, que simboliza a tomada de decisão na governança corporativa e com a qual não se pode colidir, e os rinocerontes não identificados, apontados como as ameaças que estão por vir.</p>
<p>Para a autora, que faz sucesso na China com sua teoria, o país com a segunda maior economia do mundo tem de lidar com diferentes tipos de rinocerontes-cinzas ao mesmo tempo, caso da crise climática, por exemplo, sendo que se este rinoceronte-cinza for ignorado, pode gerar muitos outros, como a degradação ambiental, a insegurança alimentar, mais mortes por poluição, desertificação, enchentes etc. para citar apenas o pilar ambiental.</p>
<p>O relatório do Fórum de Davos recomenda uma abordagem  “visando reforçar nossa resiliência a riscos de longo prazo e traçar um caminho para um mundo mais próspero”. Enfrentar rinocerontes-cinzas em cenários de crises simultâneas exigirá que  os atores sociais, políticos e econômicos saibam identificar os rinocerontes-cinzas e preparem a resposta adequada.</p>
<p>No relatório, as ameaças mais graves a curto prazo  são o custo de vida, desastres ambientais e confrontos geoeconômicos, tendo como principais vítimas as populações mais vulneráveis.</p>
<p>Em Davos, o Brasil também enfrentou seu rinoceronte-cinza: uma política de desmonte ambiental e seus efeitos e  prometeu retomar a agenda ambiental, iniciativas de proteção de seus biomas, resgate do Fundo Amazônia, paralisado desde 2019,  zerar o desmatamento até 2030 , criar um mercado regulado de carbono e dar atenção redobrada às energias renováveis.</p>
<p>O Fundo Amazônia,  administrado pelo <a href="https://www.jota.info/tudo-sobre/bndes" target="_blank" rel="noopener">BNDES</a>, deve contar com novos financiadores além da Noruega e da Alemanha. O Brasil soube divisar  o risco   e tomou uma decisão para criar um novo paradigma, afirmando que o país deixará de ser pária ambiental para voltar a ser protagonista global na esfera do meio ambiente.</p>
<p>A contagem regressiva para o confronto com novos rinocerontes-cinzas já começou, embora o ESG  tenha avançado e criado resistências. Contudo, são apenas 7 anos para atingirmos a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável.</p>
<p>Este ano acontecerá em setembro a Cúpula dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da Agenda 2030 da ONU para acelerar as iniciativas visando  a atingir os 17 ODS’s estratégicos para transformar o mundo,  reduzir  a pobreza, prover mais educação, mais  saúde, proteção social, oportunidades, proteção ambiental, dignidade e direitos humanos.</p>
<p>O futuro sonhado na visão do Fórum de  Davos ainda é possível, desde que se saiba reconhecer, definir estratégias  e agir coletivamente para superar os riscos trazidos pelos  rinocerontes-cinza que se, ignorados por muito tempo, podem ocupar uma empresa, um país ou até o planeta todo, nos lembrando da obra genial  do teatrólogo romeno Eugène Ionesco,  “O Rinoceronte”.</p>
<p>Tudo começa com o surgimento de  um rinoceronte, mas aos poucos toda a população acaba sendo metamorfoseada  e se transforma em rinocerontes, numa crítica contundente ao pensamento totalitário, ao conformismo e à renúncia da própria humanidade. “A alegoria chega quando descrever a realidade já não nos serve”.[5]</p>
<hr />
<p class="jota-article__reference">¹ <a href="https://fortune.com/2023/01/13/world-economic-forum-risk-report-esg-davos-agenda-2023/" target="_blank" rel="noopener">https://fortune.com/2023/01/13/world-economic-forum-risk-report-esg-davos-agenda-2023/</a></p>
<p class="jota-article__reference">² <a href="https://www.weforum.org/reports/global-risks-report-2023/" target="_blank" rel="noopener">https://www.weforum.org/reports/global-risks-report-2023/</a></p>
<p class="jota-article__reference">³. WUCKER, Michele -. O Rinoceronte Cinza. Porto Alegre: Citadel, 2021</p>
<p class="jota-article__reference">4 <a href="https://fortune.com/2021/06/02/racial-equity-diversity-inclusion-data-fortune-500-measure-up/" target="_blank" rel="noopener">https://fortune.com/2021/06/02/racial-equity-diversity-inclusion-data-fortune-500-measure-up/</a></p>
<p class="jota-article__reference">5. SARAMAGO, José. Ensaio sobre a Cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1995</p>
<hr />
<p><strong>YUN KI LEE</strong> – Sócio da Lee, Brock, Camargo Advogados, mestre em Direito Econômico pela PUC-SP e professor de pós-graduação em Direito<br />
<strong>FABIO RIVELLI</strong> – Advogado, sócio da LBCA, mestrando na PUC-SP e presidente da Comissão de Inovação, Gestão e Tecnologia da OAB-Guarulhos</p>
<p>O post <a href="https://lbca.online/licoes-de-davos-e-a-manada-de-rinocerontes-cinzas/">Lições de Davos e a manada de rinocerontes-cinzas</a> apareceu primeiro em <a href="https://lbca.online">LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</a>.</p>
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