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	<title>Arquivos prisao hacker - LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</title>
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		<title>Penas para golpes digitais como vazamentos de dados não passam de um ano de prisão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daniel Macedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Feb 2021 14:40:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sócio-fundador da LBCA, Solano de Camargo, comenta os riscos e a falta de penalidade dura com os casos envolvendo vazamento de dados.</p>
<p>O post <a href="https://lbca.online/penas-para-golpes-digitais-como-vazamentos-de-dados-nao-passam-de-um-ano-de-prisao/">Penas para golpes digitais como vazamentos de dados não passam de um ano de prisão</a> apareceu primeiro em <a href="https://lbca.online">LBCA | Lee, Brock, Camargo Advogados</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Registros de crimes digitais como vazamentos de dados, clonagens de cartões e acesso indevido a dados pessoais estão ficando cada vez mais comuns no Brasil.</p>
<p>Nas últimas semanas, dois grandes incidentes chamaram a atenção: a exposição de dados de mais de 223 milhões de pessoas, incluindo já falecidas, e a descoberta de um banco de dados com informações detalhadas de mais de cem milhões de números de celular.</p>
<p>No entanto, investigações, prisões e condenações de cibercriminosos não aparecem na mesma intensidade.</p>
<p>Para especialistas, baixa capacidade de investigação, falhas na legislação e penas muito brandas na comparação com as previstas em outros países para crimes digitais criam um ambiente de impunidade no país que favorece a expansão da ação de hackers mal intencionados.</p>
<p>— Hoje em dia, invadir dados pessoais pode ser mais danoso que invadir uma casa, mas a punição para estes crimes digitais é imensamente mais leve no Brasil que o roubo tradicional — diz Renato Opice Blum, economista e advogado, sócio do Opice Blum Advogados e membro do Conselho da EuroPrivacy, certificadora europeia de dados.</p>
<p>Os problemas, segundo especialistas, começam nas leis brasileiras. Um levantamento feito para O GLOBO <a href="https://lbca.online/socio-fundador-da-lbca-alerta-sobre-vacuo-na-legislacao-contra-hackers-e-crimes-ciberneticos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">pelo advogado Solano de Camargo</a>, sócio do Lee, Brock e Camargo Advogados (LBCA) e especialista em direito digital, aponta que, no Brasil, uma pessoa condenada por crimes digitais vai enfrentar penas bem mais brandas que em outras nações.</p>
<h2>Especialistas: Vazamento de dados não foi isolado e terá risco maior de se repetir com 5G</h2>
<p>A chamada Lei Carolina Dieckmann — criada em 2012 com o nome da atriz que teve fotos íntimas roubadas de seu computador — prevê punição de três meses a um ano para hackers. Na prática, isso configura um crime de menor gravidade, que termina por não levar o criminoso à cadeia.</p>
<p>Em outros países, a compreensão do risco coletivo que as atividades criminosas na internet representam já se reflete no endurecimento de penas para punir infratores digitais.</p>
<p>Nos EUA, crimes cibernéticos podem dar 20 anos de prisão. Na Coreia do Sul, dez, e no Reino Unido, cinco. Mesmo os países europeus com leis que tradicionalmente preveem menos encarceramento são mais duros que o Brasil. Penas variam de três a cinco anos em França, Alemanha e Itália.</p>
<h2>Falta tipificação</h2>
<p>O advogado Opice Blum reconhece que o Direito moderno busca mais formas alternativas de punição. Mas neste tipo de crime, diz ele, essa premissa não funciona porque os criminosos hackers não têm capital para pagar pesadas multas a ponto disso inibir os ataques.</p>
<p>Risco? Eletrobras diz que a Eletronuclear sofreu ataque cibernético, mas sem risco à segurança das operações</p>
<p>— Hoje em dia, com a legislação que há, mesmo que alguém seja condenado, dificilmente vai para a cadeia. O mais provável é que a pessoa seja condenada a pagar cestas básicas ou realizar trabalho social. O resultado da ação criminosa é muito maior do que a pena que a pessoa pode pagar. A lei defasada incentiva e pode fazer compensar a prática do crime — diz o advogado. — O Brasil precisa assinar a convenção de Cibercrimes de 2001, de Budapeste, pois cria uma colaboração mútua investigativa e obriga o país a a melhorar suas leis.</p>
<p>Vazamento de dados: Brasil é o país com mais informações roubadas de cartões</p>
<p>Alguns crimes digitais sequer são previstas na legislação penal, dificultando a tipificação dos delitos. É o caso, por exemplo, de infecção de sistemas por malware, programas maliciosos que funcionam como um vírus que contaminam sistemas, computadores ou celulares.</p>
<p>Também não há previsão legal para enquadrar quem for flagrado em posse de algum equipamento utilizado para crimes cibernéticos ou de fornecedores de equipamentos com objetivo criminoso.</p>
<p>A falta de leis específicas obriga autoridades a se utilizar de leis ultrapassadas. No caso da chamada “negação de serviço”, quando um ataque coordenado derruba um servidor, a pessoa por trás da ação é enquadrada no artigo 266 do Código Penal, que fala de interromper serviços telegráficos, radiográficos ou telefônicos.</p>
<p>— A gente está muito atrasado em relação a outros países — diz o Opice Blum, que explica que a nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) trata mais das obrigações das empresas que detêm os dados, e que podem ser multadas em até R$ 50 milhões em casos de vazamento, do que dos criminosos que invadem sistemas.</p>
<p>O advogado Solano de Camargo <a href="https://lbca.online/brasil-conta-com-poucas-armas-legais-para-combater-ataques-de-hackers-stj/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">lembra que o Brasil sequer centraliza informações sobre crimes digitais ou ações na Justiça</a> relacionados a eles, mais um sinal da pouca importância dada ao tema.</p>
<p>Assim, há pouca estatística oficial sobre registros de ataques, investigações e condenações. No entanto, dados coletados por empresas de segurança digital indicam o Brasil como o segundo país mais atacado pela internet, atrás apenas da China.</p>
<h2>Casos não vão à Justiça</h2>
<p>A Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, uma parceria da ONG Safernet Brasil com o Ministério Público Federal, recebeu no ano passado 156.692 denúncias anônimas, o dobro das 75.428 registradas em 2019.</p>
<p>O advogado Filipe Silveira, sócio e responsável pela área penal empresarial do Silveira Athias Advogados, diz que o Brasil tem uma cultura de não dar o devido valor à informação. Ele vê falta de preparo das instituições governamentais no tratamento das denúncias.</p>
<p>— O Judiciário, na maioria das vezes, sofre com outros problemas. O governo investe em concurso, mas não em captação. Policiais vão aprendendo sobre crimes cibernéticos na marra, no dia a dia. Não há centro de perícia científica. O que chega no Judiciário são poucos casos de injúria, difamação ou estelionato por meio eletrônico, não necessariamente cibercrimes de invasão de dados — diz Silveira.</p>
<p>A Polícia Federal abriu inquérito sobre o megavazamento de dados descoberto em janeiro, mas ainda não houve resultados. A instituição não divulga o que foi apurado até agora.</p>
<p>Silveira alerta ainda que as leis brasileiras não diferenciam corretamente a gravidade dos crimes. Um caso da invasão de um único celular tem o mesmo tipo de pena prevista para um vazamento de grande porte.</p>
<p>Viu?Golpes no FGTS aumentam, e perdas chegam a R$ 2 milhões por mês. Saiba se proteger</p>
<p>Ana Frazão, advogada e professora da Universidade de Brasília (UnB), diz que o país precisa avançar também na cooperação internacional:</p>
<p>— A internet neutraliza a geografia e, infelizmente, a lei não leva isso em consideração. A LGPD até prevê a proteção de dados de brasileiros armazenados no exterior, mas é uma teoria. Na prática, não vemos como responsabilizar um hacker em outro país.</p>
<h2>Ação de hackers custará US$ 6 tri</h2>
<p>Qual o custo exato dos crimes digitais no mundo, com empresas e cidadãos no alvo? De acordo com estudo da Cybersecurity Ventures, empresa americana de pesquisa sobre a economia cibernética global, será de US$ 6 trilhões em 2021. Só dois países têm PIB maior que isso: EUA e China.</p>
<p>— Os custos do cibercrime incluem danos e destruição de dados, dinheiro roubado, perda de produtividade, roubo de propriedade intelectual, roubo de dados pessoais e financeiros, desfalque, fraude, interrupção das operações normais após um ataque, perícia, recuperação e eliminação de dados e sistemas hackeados e danos à reputação — disse Steve Morgan, fundador da Cybersecurity Ventures, ao apresentar o estudo, em novembro.</p>
<p>Esse impacto cresce rapidamente no mundo com a expansão das ações de criminosos. O custo estimado era metade disso, US$ 3 trilhões, em 2015. Segundo as projeções do trabalho, essa conta continuará crescendo a um ritmo médio de 15% ao ano até atingir US$ 10,5 trilhões em 2025.</p>
<p>Cibercrimes aumentaram na pandemia, com maior tráfego de dados na internet. Dados parciais de 2020 do Centro de Reclamações de Crimes na Internet (IC3) do FBI apontaram de três mil a quatro mil denúncias por dia. Em 2019, eram cerca de mil diárias.</p>
<p>No Brasil, a Embraer foi uma das empresas que foram alvo desse tipo de ação no país recentemente. A fabricante de aviões sofreu um ataque por ransomware, tipo de software malicioso que, uma vez dentro do sistema, criptografa dados e restringe acesso para que hackers cobrem um resgate.</p>
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